Com efeito existe na filosofia cristã a ideia do fim dos tempos, do apocalipse. Nostradamus também previu para o ano 2000 catástrofes e destruições que levariam o mundo a seu fim. A ideia pois de que o mundo acabará destruído no apocalipse não faz parte, de forma alguma, da filosofia judaica. Assim, apocalipse no judaísmo não tem vez.

No judaísmo acredita-se que após o Dilúvio que destruíra toda a humanidade, além de Noach e sua família, D’us fez um pacto com a humanidade: nunca mais Ele a destruiria totalmente. Portanto não cabe a ideia enfim de apocalipse no judaísmo. Acreditamos 100% na palavra do Todo-poderoso.

Haveria então catástrofes e tragédias, mas nunca mais uma destruição total. Portanto o judaísmo não acredita no fim dos tempos. Acreditamos, ao contrário, no inicio de uma nova era, uma era de paz e harmonia: a era messiânica.

Analisamos os sinais descritos claramente no Talmud. Aqueles principalmente no fim do volume de Sotá. Ali fala-se sobre os acontecimentos que anteciparão a vinda do Messias: grandes conflitos, falta de compreensão dentro das famílias. Haverá pois falta de ideias e de lideranças, bem como guerras entre potências como Irã e Iraque, a Pérsia e Arábia e outros conflitos. Vemos, então, que estamos certamente à beira desta nova era.

Segundo o Talmud, estes sinais são a prova de que está se aproximado a época nova. Esta já é conhecida como o “calcanhar do Messias”. A era messiânica deverá ocorrer no máximo no 6º milênio da Criação.

Apocalipse no judaísmo dá vez à Redenção e ao Grande Shabat

Nachmânides explica que assim como o mundo foi criado por D’s em seis dias, e tendo no sétimo, havido um descanso, este mundo terá seis milênios, e o sétimo milênio, o grande Shabat, será a era messiânica.

O Shabat, como nós sabemos, não se inicia na sexta-feira, à meia noite, mas sim, sexta-feira à tarde. Sabendo que nós estamos no ano de 5757, de acordo com todos os grandes sábios já é sexta-feira à tarde.

Segundo as profecias descritas em detalhes em nossos livros, estamos na iminência de uma nova época.
Isto não significa que o mundo acabará, mas sim que atingirá sua perfeição após muito trabalho e muitas lutas.

A humanidade, após tanta guerra, catástrofes e tragédias, perseguição, sofrimento e injustiça, finalmente entende que não há mais lugar para lutas, que devem pois se transformar as armas em arados, as espadas em paz, e os tanques em tratores.

Apesar de ainda haver conflitos regionais, existe uma consciência geral de que se deve evitar por todos os meios um conflito mundial, que precisa existir justiça social, que se deve acabar com a fome e a miséria.

Missão judaica é de reconfortar a humanidade

Com efeito, nossa obrigação como judeus não é falar ou acatar as profecias sobre o fim do mundo, sobre tragédias terríveis, sobre o tão temido apocalipse. Ao contrário, devemos pois reconfortar a humanidade, levando a mensagem de esperança, de que logo o mundo será melhor. O Messias chegará enfim para trazer a harmonia entre os homens, a irmandade, o fim dos conflitos.

Resumindo, o judaísmo nos ensina que, em breve, pois, este mundo se elevará atingindo uma época melhor, em que não haverá catástrofes ou tragédias.

Os grandes sábios acreditam que mesmo as guerras que foram previstas antes da chegada do Messias, já ocorreram, e que estamos prontos para entrar em uma época melhor para toda a humanidade, uma época portanto de paz e amor para todos.

(Matéria publicada na Revista Morashá em Dezembro de 1997)

Leia e/ou imprima este artigo em PDF

O Caminho de D'us

Uma obra do grande rabino e filósofo Moshe Chaim Luzzatto, onde ele explora o regulamento Divino do mundo e a interação Céus e terra. ADQUIRA LIVRO